Até quando persistir?

Enquanto eu não sabia o que fazer

Fiz de tudo

Acabei caindo nesse buraco com uma única luz amarela

Mas não tive material suficiente para construir uma escada

Nem nada que me erguesse totalmente.

Encolhida aqui, com os joelhos ralados por este pequeno espaço, escuto as conversas e percebo as movimentações para cada estação, embora, não consiga sair.

A verdade é que depois de meses gritando, já não faço barulho e a maioria deve achar que estou curtindo o isolamento.

Sendo assim, continuarei a ver os restos caírem

E uma hora dessas construirei um elevador.

#APoesiaDM

Ao Norte

Você partiu
Eu amadureci
Não pudia te segurar
Parar o tempo, rebobinar.
Queria conversar
Te olhar
E apagar algumas ações.
Fazer a situação entender
Ou simplesmente parar de doer.
O difícil é imaginar sem saber
É recriar sem ter
É saber se as minhas palavras ainda servem pra você ler.

#APoesiaDM

Marcas

Tentei por no papel, rasurei e reescrevi.

Troquei as palavras, os nomes próprios e até mudei o que senti

Mas ao final da terapia, nada tinha.

Nada além das marcas de um grafite,

Marcas que a borracha não conseguiu apagar,

E outra folha não terá tanta história pra contar.

#APoesiaDM

Entre os Olhos da Coroa

Só a realeza conhece a exaustão da guerra entre os reinos.

Só o peso da coroa dimensiona as lágrimas derramadas.

Cotovelos sobre a mesa, olhares a três metros de distância e alguém quer gritar?

Alguém admite querer descansar?

De quem é a mão que vai tirar o peso da armadura, dar o comando para a cavalaria recuar e as falas de vez abraçar?

Abrir um bom vinho e gargalhar com o melhor amigo,

Sentir novamente o aroma de café penetrar, filtrar e purificar o ar.

Olhando ao redor, a rainha repara que tirando seu castelo e o vestido – tão belo! -, ela está só.

#APoesiaDM

De repente

Gostaria que passasse ligeiro pelo meu dia,
Facilitaria.
Trancaria o sentimento que a tanto tempo foge,
Apagaria de vez o sorriso que escondo sempre que te encontro.
Mas seu passar continua lento e seus olhos continuam lendo.

Os meus permanecem aqui, fitando, incansavelmente.
Até que alguém não mais aguente ou se contente.

Um Mundo Só Meu

Dona da moral
A minha, pessoal
Não a que incluo na sociedade
A que eu posso devorar sem responsabilidade.

Onde corro de toalha
Desço as escadas do prédio
E assim prossigo
Escrevendo o que quero

Onde odeio dieta
O presidente
E a sensação de nos cabelos passar creme

Um desespero
E antes de carpir por inteiro
A solução
Discutimos por não saber ao certo a ação

Não soltamos nenhuma palavra
Nem as mãos
Até a luz voltar
Irradiar e aliviar

 

 

#APoesiaDM

Meu eu

Eu queria tanto crescer,
Aprender a permanecer,
Deixar de correr na chuva
E assim andar
Para menos ensopada ficar.

Eu queria tanto crescer,
Alcançar as palavras mais altas e suaves,
Poder agir com cordialidade
E arcar com o preço da opinião.

E então cresci
Meu eu apertado não cabia mais
E finalmente aprendi a usar conjunção.

Porém,
vastas foram as vezes que não tive coesão
Pois perder tempo me incomoda
E obviamente preciso esperar pelo fim da maturação.

 

 

#ApoesiaDM

Abra os olhos João

O trem vai partir,
Não finja dormir.
Precisa sair,
Olhar a vista nem que seja na janela

E logo precisará passar por ela,
Conhecer de ver por fora da caverna.
Vê se não hiberna e não te desespera

Mesmo assim vou te sacudir
Vou te despir e não deixar carpir
Tenha calma João!
A pressa do país te espera.

Barca

Sentada,

Estico os joelhos,

Olho aos céus e deito na barca,

pois gosto de me alocar ao mar.

Conjurar diversos amores e assim deleitar.

O gozo é tamanho quanto no instante escrever

Pena que a consciência não repousa plena em meio ao barco,

Que o entendimento da fantasia chegara às vias de fato

E que o saber passara a entender

Logo agora,

quando pegaria o livro e começaria a escrever.

#APoesiaDM